VIVENDO E APRENDENDO

 

 

 

            Esta é uma frase muita conhecida e dita por muita gente, mas que nem sempre é aplicada. Gostar ou não gostar de uma determinada coisa, requer que se tenha conhecimento da mesma e prejulgar sem este é muito perigoso, o que pode nos causar dissabores.

        

Vemos tantos exemplos diuturnamente, e quantas vezes não nos damos ao trabalho de fazer uma análise mais minuciosa de certas coisas ou fatos para depois utiliza-los ou coloca-los de lado quando estes forem negativos.

        

A nossa limitação, como ser humano, nos leva a cometermos falhas, pois os nossos sentidos nem sempre têm a capacidade de captar o correto, dando margens às idéias errôneas à respeito de pessoas, fatos e coisas que nos circundam.

        

No final de setembro, numa Assembléia no Lions Clube de Brodowski, o CL Paulo Zerbinati , do  LC Ribeirão Preto Centro, Presidente de Divisão D-2, nos lembrou que jamais devemos prejulgar as pessoas. Devemos antes conhecê-las, para não cometermos injustiças. Concordamos plenamente, pois ninguém  tem o direito de adiantar assuntos ou fazer críticas, especialmente as maldosas, de quem quer que seja, quando não conhecer os fatos relacionados à mesma.

        

Na minha juventude, em Catanduva-SP, ouvi certa pessoa dizer que as ações praticadas por Lions e outras entidades tinham algo de interrogativo, eram meio sigilosas, enfim, suspeitas. Analisei e mais tarde percebi que o indivíduo não passava de um ignorante. Exemplos concretos e positivos vieram em seguida, pois conhecemos o Lions e nos tornamos sócios, e de consciência tranqüila, afirmo que dentro das limitações e habilidades, minhas e de minha DM Cida, procuramos sempre corresponder às expectativas daqueles que caminham ao nosso lado.

        

A geração surgida neste mundo tecnológico, em que as novidades surgem a cada instante, e aquele que reside nas grandes cidades, possivelmente desconhece a vida do campo. Os dizeres e seus significados de hoje, e talvez muito mais da era do carro-de-boi ou o carro cantador propriamente dito, era ouvido de longa distância devida ao atrito / proporcionado pelo eixo no cocão (mancal primitivo). Aqui era muito comum a gente ver várias juntas-de-bois atreladas quando o carro estava abarrotado de cereais ou madeiras, geralmente roliças. Via-se também um ou outro boi que caminhava atrasado, deixando o seu companheiro esfolado o pescoço no canzil ou canga, pela maior carga.

        

Termos iguais, significados diferentes. Na zona rural, quando um amigo chamava alguém de companheiro já ouvia deste : “companheiro é boi-de-carro”.

        

O animal irracional, quase sempre sacrificado pelo homem que nem sempre entende a natureza das coisas, mas que vai à busca da qualidade uma vez que a quantidade por vezes só atrapalha. Não era interessante, nessa época possuir muitas juntas-de-bois se eles não fossem suficientemente fortes para o trabalho a que eram submetidos. Por isso, no trabalho, à frente dos bois caminhava o candeeiro com seu sininho, mostrando o caminho a ser seguido e ao seu lado, o carreiro propriamente dito, que, na oscilação de um fraco ou manhoso boi, lhe aplicava a vara de ferrão.

        

Companheiros, nós, seres humanos, possuidores de raciocínio, somos por conseguinte portadores de uma certa liberdade, e instrução suficientes para sabermos o que queremos, e por isso temos a obrigação de conhecer a nossa função dentro do Lions.

        

Temos, especialmente nas nossas assembléias o toque do sino, um dos símbolos leonísticos que amiúde, nos alerta para algo importante que esteja acontecendo, pedindo nossa atenção, a nossa participação. Todavia, diferentemente do companheiro do carro cantador, temos condições e por isso, o dever de caminharmos sozinhos, uma vez que, livremente, certo dia atendemos ao chamado do Lions, aceitando. A liberdade prevaleceu, uma vez que ninguém deve fazer o que não gosta. É desagradável ouvirmos, sobre assunto decidido, de alguém, como já aconteceu, uma reclamação.

        

Toda participação é importante , e devemos conhecer os objetivos de LIONS que, a exemplo da estória dos bois, também necessita de qualidade, pessoas que estejam em consonância com os seus objetivos e preceitos.

        

Embora presenciamos coisas tristes na comunidade em que atuamos, há sempre um retorno que é gratificante, e a consciência do dever cumprido dá o animo para buscarmos novos horizontes e a reflexão é a melhor arma para o nosso aprimoramento, lembrando que a amizade fácil nem sempre é duradoura.

        

Ela depende de “n” fatores já que ver é diferente de conhecer, obviamente.

        

Recordo que os termos vivendo e aprendendo, bem como saber, conhecer e tantos outros,  requerem muita atenção na prática; uma análise cautelosa para que não cometamos injustiças para com os nossos semelhantes.

        

Aqui no Lions aprendi que o termo COMPANHEIRISMO possui um significado bastante profundo; basta que ele seja praticado à guisa da ÉTICA E DOS SEUS OBJETIVOS.

 

Assim, concretamente estaremos Vivendo e Aprendendo.

 

CL MÁRIO BERALDI

Lions Clube de Batatais-SP ( LC-6)

Editor do boletim

Instrução Leonística na Assembléia do dia 25/10/2003